28.11.11

Segundo Lugar | Prémio Fundação Marquês de Pombal 2011 | Artes Plásticas- Jovens Artistas


“Futebol Aranha” | Memória descritiva



A esta pintura poderíamos também intitular “A República, a Crise Internacional, A crise Nacional e o Homem-Peixe”. Esta é uma composição que conta uma história. É certo que não é a história em si mesma que constitui o elemento mais importante da obra. Mas está lá, é inegável. Contudo, não é de prosa que se trata, é poesia. É poesia porque é forma e conteúdo acompanhados pela liberdade de imaginação e algo mais – uma delicadeza íntima.
O assunto tem relevância intelectual de visão satírica da sociedade. Mas é pela transformação através da imaginação que ele toma importância, pela individualização do artista.
Pode constatar-se que a beleza física dos corpos e composições foi descurada, realizando-se pelo contrário uma beleza moral ou intelectual. Criando um universo onde várias realidades coexistem. A individualização do tema passa, como já referimos, pela harmonia (ou não) da forma e conteúdo. Formalmente o que predomina com maior evidencia é a luz. Não é uma luz universal, mas talvez mais uma luz particular, centrando a atenção menos nas figuras e mais no efeito de luminosidade. Um cenário crepuscular. É essa a forma de dar movimento às figuras aparentemente estáticas, com a luz que toca com a rapidez de um relâmpago. Deste modo o acabado da pintura é limitado mais pelo efeito dramático do que representativo.
Outra característica formal evidente é a luta constante entre a pintura em superfície e o efeito plástico da pintura em profundidade. Apesar da disposição das figuras resumirem a acção basicamente ao primeiro plano, sugerindo uma certa superficialidade, o efeito de luz conserva o carácter plástico de efeito tridimensional, fazendo conviver as imagens representadas com a necessária dignidade, certeza e solidez.
Consciente do peso da herança histórica na Pintura, ela acaba por ser usada, consultada e descontextualizada. Disto surgem personagens mais ou menos ficcionadas, colocando em comunhão vários actores, suspendendo uma relação lógica de espaço/tempo e dando lugar a uma dimensão simbólica.



De 19 a 30 de Novembro
Segunda a Sexta: 14.30h às 17:30h
Sábados das 15.00 às 18.00h

Galeria de Arte Fundação Marquês de Pombal – Palácio dos Aciprestes Av. Tomás Ribeiro, Nº18, 2795-183 Linda-a-Velha

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